3ª onda: hospitais privados temem nova falta de UTIs

Por Editor

‘Se não fizermos algo, podemos repetir falta de UTIs e insumos’, diz representante dos hospitais privados em SP sobre nova onda

O Globo

Francisco Roberto Balestrin de Andrade, presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Laboratórios de Saúde do Estado de São Paulo (SINDHOSP), afirma que há sinais claros da terceira onda da Covid-19 no país e que, se nada for feito, podemos repetir o cenário de abril, com falta de UTIs e insumos.

Como o senhor vê a ameaça da terceira onda de Covid-19?
A cada duas semanas fazemos uma pesquisa com os 400 hospitais que representamos em São Paulo. Há duas semanas, a gente começou a observar que 79% dos hospitais tinham leitos de UTI com ocupação superior a 80% da capacidade, um patamar alto. Nesta semana percebemos que esse percentual cresceu seis pontos, chegando a 85% da mostra. É uma marola, avisando a tsunami. É um aviso de que, se não fizermos algo, daqui a duas ou três semanas nós estaremos com uma situação parecida com a de abril.

É possível evitar isso?
Como não temos uma vacinação no ritmo que o Brasil merece, pela dificuldade de obter vacina, a recusa dos contratos com a Pfizer, a dificuldade de se obter matéria-prima, temos que adotar as três regras básicas: evitar aglomerações e manter o isolamento social, usar máscaras e limpar as mãos a todo o momento. E as autoridades devem enfatizar isso.

O senhor acha que é a hora de novas restrições à circulação de pessoas?
A decisão tem que ser muito inteligente e equilibrada, não pode ser radical em nenhum dos lados.

Depois da segunda onda, os hospitais estão mais preparados?
Temos que lembrar que, junto com a segunda onda no Brasil, houve uma segunda onda em vários países, e isso afetou em parte os insumos. E a segunda onda ocorreu com a variante de Manaus, a P.1, que parece ser muito mais contagiosa, levando pessoas mais jovens aos hospitais, onde eles permaneceram por mais tempo. Hoje estamos um pouco melhor em relação a isso, pois grande parte dos hospitais, 60% dos nossos hospitais pesquisados, têm estoques destes medicamentos para algo entre 10 e 15 dias.

O risco de faltar insumos é menor hoje?
Várias instituições privadas conseguiram fazer importações próprias, há um fluxo de materiais que estão chegando, mas eles podem ser insuficientes se tivermos uma onda como a que tivemos em abril. Hoje temos uma sustentabilidade um pouco maior. O foco não tem que ser apenas em ampliar os insumos, mas em reduzir a contaminação para que não tenhamos tantos pacientes. E isso depende das pessoas e das autoridades.

Qual o impacto da variante indiana neste cenário?
É algo novo, que a gente ainda não sabe, que é o avanço ou não da variante indiana do vírus. A gente ainda não sabe como será o comportamento dela. Pode ser diferente da P.1. Temos que ficar ainda mais atentos. O vírus sempre busca novas vítimas. Hoje são os mais jovens, que ainda não foram vacinados, mas não sei dizer se haverá um aumento de mortes entre os mais jovens, pois depende do comportamento deles.

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