Bolsonaro volta a atacar Coronavac e diz que vacina não tem comprovação científica

Por Editor

Testes clínicos de segurança e eficácia da vacina foram realizados pelo Instituto Butantan e aprovados pela Anvisa

O Globo

Em entrevista concedida à “SIC TV”, de Rondônia, o presidente Jair Bolsonaro atacou em diversas ocasiões a Coronavac, vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. Bolsonaro ironizou o imunizante em relação à vacina da Pfizer e afirmou, de maneira falsa, de que a Coronavac não tem comprovação científica.

O presidente novamente criticou medidas restritivas adotads por prefeitos e governadores, defendeu a utilização de tratamentos sem comprovação científica e colocou em dúvida a eficácia das vacinas, especialmente da Coronavac. Sem citar evidências, o presidente afirmou que “muita gente” não estaria desenvolvendo anticorpo após tomar a vacina.

— A Coronavac, o prazo de validade dela parece que é em torno de 6 meses. E assim mesmo muita gente tem tomado e não desenvolve anticorpo nenhum. Então essa vacina não tem uma comprovação científica ainda — afirmou Bolsonaro.

Apesar da declaração do presidente, a Coronavac passou por testes clínicos que verificaram sua segurança e eficácia. Os testes foram feitos pelo Instituto Butantan e os resultados enviados para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Após análise dos documentos, a agência aprovou o uso emergencial do imunizante.

No caso dos medicamentos defendidos por Bolsonaro, a maioria dos estudos científicos publicados até o momento indicou que as drogas não apresentam benefício contra a Covid-19.

Em outro ponto da entrevista, questionado pelo apresentador se era possível uma medida para acelerar a vacinação em Rondônia, Bolsonaro afirmou que não era possível atender à demanda, mas que teve uma ideia de fazer um experimento em fosse realizada a vacinação de 100% de uma cidade do estado com a vacina da Pfizer e 100% de outra cidade com a Coronavac.

— Você me deu uma ideia, a gente pode pegar uma cidade menor de Rondônia e pegar uma vacina como a Pfizer, que não é a Coronavac, e jogar naquela cidade. E jogar a Coronavac em outra. O pessoal vai reclamar da gente, quem pegar a Coronavac vai reclamar, mas a gente pode pensar nisso daí, eu dou a ideia para o ministro Marcelo Queiroga e a gente tenta duas cidades de Rondônia — afirmou o presidente.

Desde o ano passado, o presidente fez críticas à Coronavac. O presidente, entretanto, chegou a desautorizar a aquisição da vacina pelo ministro Eduardo Pazuello. O imunizante foi produzido pelo Instituo Butantan, vinculado ao governo de São Paulo, atualmente administrado por João Doria (PSDB), um dos principais antagonistas do presidente.

A vacina, entretanto, foi a responsável por iniciar a imunização dos brasileiros. Pressionado, o governo adquiriu 100 milhões de doses da vacina.

Integrantes do governo federal ficaram incomodados com a antecipação da vacinação anunciada por João Doria. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, chegou a reclamar publicamente do governador por não ter afirmado que a mudança no calendário ocorreu graças às doses compradas pelo Palácio do Planalto.

O governo é investigado pela CPI da Covid pela demora em responder e comprar as doses oferecidas pela Pfizer desde agosto do ano passado.

Nesta segunda-feira, o presidente se reuniu com o executivos da Pfizer para pedir a antecipação de doses da vacina da farmacêutica americana. Ao final da entrevista concedida nesta terça-feira, o presidente, novamente voltou a ironizar a Coronavac.

—  Ontem eu estive com o diretor-presidente da Pfizer, o contrato do ano passado era de 100 milhões de vacinas e assinamos um recentemente de 200 milhões de vacinas da Pfizer,que tem mais credibilidade que uma outra que foi distribuída há pouco tempo, continua sendo distribuída ainda. Acreditamos que até setembro tenhamos mais de 60% da população vacinada e esperamos que os governadores não tomem mais medidas restritivas — afirmou o presidente.

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